Dom Armando Bucciol é também o diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma – Foto: Sara Gomes

A primeira coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB), realizada na manhã desta terça-feira (15), no Centro de Eventos Padre Víctor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional, Aparecida, São Paulo, contou com a participação do presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler; do secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano, Dom Lizardo Herrera; e do bispo emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, Dom Armando Bucciol, que destacou reflexões sobre comunhão, missão e o papel evangelizador da Igreja e da comunicação.

Missionário italiano com mais de três décadas de atuação no Brasil, Dom Armando compartilhou sua experiência recente em Roma, onde atua como diretor espiritual no Colégio do Pio Brasileiro. Ele destacou a riqueza da presença brasileira na capital italiana, descrevendo-a como uma vivência “alegre” e significativa. Ao comentar sua participação na Assembleia após quatro anos, expressou o sentimento de reencontro e saudade, recordando os 19 anos em que esteve presente no encontro, que definiu como uma experiência “extraordinária de comunhão eclesial”.

Ao abordar o retiro que conduz durante a Assembleia, Dom Armando enfatizou que o tema central será o seguimento de Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, como caminho de testemunho e louvor ao amor de Deus. Entre os pontos que serão trabalhados, destacou as exigências e desafios desse seguimento, a urgência da evangelização e o papel da Igreja no mundo. Citando o Papa Paulo VI, reforçou que “a Igreja existe para evangelizar”, sublinhando que o anúncio do Evangelho é a razão essencial da presença da Igreja na sociedade.

Outro eixo importante de sua reflexão será a “parresia evangélica”, termo que descreveu como liberdade e coragem para viver relações humanas transparentes. Segundo Dom Armando, trata-se de um testemunho necessário em uma sociedade marcada por fragilidades nas relações. Ainda nesse contexto, destacou o serviço como expressão do amor cristão, recordando o gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos: “quanto mais poder, mais serviço”, afirmou, evidenciando a lógica evangélica que deve orientar a missão episcopal.

Dom Armando também ressaltou a centralidade da liturgia como expressão viva do Evangelho, alertando para o risco de práticas esvaziadas de sentido. Para ele, é essencial que a liturgia seja vivida com fé e coerência, conectando celebração e vida. “Viver a liturgia que celebramos, com olhos e coração na fé”, sintetizou.

Em sua fala, o bispo ainda dirigiu uma mensagem especial aos profissionais da comunicação, destacando a responsabilidade da imprensa na formação da consciência crítica da sociedade. Ao citar o livro Scongeliamo i cervelli, non i ghiacciai, do filósofo Matteo Motterlini, afirmou que é necessário “descongelar os cérebros”, incentivando uma postura mais reflexiva diante de um mundo que, segundo ele, é cada vez mais influenciado e manipulado. Nesse sentido, ressaltou que tanto a Igreja quanto os comunicadores têm a missão de ajudar as pessoas a compreender melhor as dinâmicas sociais.

Por fim, Dom Armando destacou a importância do amor como força transformadora da missão. Segundo ele, quanto maior o amor por uma causa, maior é a capacidade de gerar impacto e transformação. “Sejamos amantes daquilo que fazemos”, concluiu, apontando para a construção de um mundo melhor a partir do compromisso pessoal e comunitário.

LITURGIA DIÁRIA