
O segundo dia do Fórum das Pastorais Sociais do Regional Nordeste 3, realizado na Diocese de Alagoinhas, foi marcado, na manhã deste sábado, 21 de março, por uma mesa redonda que reuniu representantes da Igreja e de outros organismos para refletir sobre os desafios sociais, políticos e ambientais da atualidade.
A mesa foi composta pelo Arcebispo da Arquidiocese de Feira de Santana e membro da Comissão Regional para a Ação Sociotransformadora pela Pastoral Afro, Dom Zanoni Demettino Castro; pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia e bispo referencial para a Pastoral Povo de Rua, Dom Gabriel dos Santos Filho; pelo assessor nacional da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora, padre Edson Thomassim; pelo membro da Cáritas do Piauí, Carlos Humberto; e por Maria José Pacheco, membro do Conselho Pastoral dos Pescadores Regional – Bahia e Sergipe.
Durante a exposição, Carlos Humberto apresentou uma análise geopolítica do cenário atual, afirmando que a sociedade vive sob o espectro das “sombrações” e “horrores”, caracterizado por um período de prolongado declínio civilizacional, marcado pelo aumento da pobreza, da miséria e das desigualdades sociais, além de guerras, fome e violações de direitos humanos, que, segundo ele, representam um retrato brutal da humanidade. O assessor também alertou para a desinformação organizada e o que chamou de “degeneração da representação”, refletindo sobre o ambiente político brasileiro e o cenário das eleições gerais de 2026, que, segundo ele, acontecem sob forte influência dos grandes meios de comunicação.
Apesar do cenário desafiador, Carlos Humberto destacou que existem sinais de esperança e de resistência, por meio de iniciativas populares e sociais que apontam possibilidades reais de transformação da realidade. Citando que “quem não se movimenta, não sente o peso das correntes que o prende”, ele reforçou a importância da mobilização social e da atuação das pastorais sociais na defesa da vida e dos direitos dos mais pobres.
Outra contribuição da mesa redonda trouxe reflexões sobre o desenvolvimentismo no Brasil e seus impactos ambientais e sociais, especialmente no que diz respeito às ameaças aos direitos e à autodeterminação dos povos e comunidades tradicionais. Também foram abordados temas como o racismo, a violência contra a mulher, o feminicídio, a violência contra jovens e negros, as insurgências sociais no país, os conflitos internacionais e as questões ambientais relacionadas às mudanças climáticas e seus impactos para a humanidade.
A mesa redonda integrou a programação formativa do Fórum das Pastorais Sociais do Regional Nordeste 3, que reúne agentes, lideranças e representantes de diversas pastorais e organismos sociais para refletir sobre a realidade social e fortalecer a atuação sociotransformadora da Igreja no Nordeste.
Texto: Sara Gomes
Informações e fotos: Pascom da Paróquia São Miguel Arcanjo de Alagoinhas








